Opiniones y debates

As 5 mentiras que te contam sobre IA no turismo

Faz mais de um ano que escuto as mesmas frases sobre IA no turismo, repetidas por consultores, gurus do LinkedIn e vendedores com pouco conhecimento do setor. Te conto as 5 que mais fazem estrago, sem filtro.

Yaco Peralta
Yaco Peralta7 min de leitura
5 mentiras sobre IA que confundem as agências

Faz mais de um ano que converso todos os dias com donos de agências de viagens sobre o mesmo assunto: como colocar IA na operação. E tem uma coisa que se repete em cada conversa.

O setor está inundado de frases que soam bem mas são falsas. Consultores repetem, gurus do LinkedIn repetem, alguns vendedores com pouco conhecimento do setor repetem. E os donos de agências, que estão com cem coisas na cabeça, não têm tempo de checar.

Então aqui vai o que vejo por dentro. Cinco frases que você escuta o tempo todo sobre IA no turismo, e por que são falsas. Sem filtro.

Mentira 1: A IA vai substituir os seus vendedores

Essa é a mais repetida e a mais danosa. Quem vende IA fala para assustar e quem odeia IA fala para defender o status quo.

Vamos ao concreto. Um cliente entra no seu WhatsApp numa quarta-feira às 23h40 perguntando sobre uma viagem para Cancún. Uma IA bem montada responde na hora, faz as perguntas-chave, oferece duas ou três opções razoáveis e deixa a conversa pronta. Até aí, a IA fez bem o que um humano teria feito mal por estar dormindo.

Mas o momento de fechar, quando o cliente está prestes a pagar 4 mil dólares pela lua de mel, esse momento continua sendo humano. Sempre. As pessoas não entregam esse tipo de dinheiro a uma máquina sem antes falar com alguém. Tem estudos mostrando que 83% das pessoas que usam chatbots querem poder falar com um humano sem ter que repetir tudo de novo.

Seu vendedor não compete com a IA. Seu vendedor compete com outros vendedores. A IA tira de cima dele o trabalho robô, passa o lead quente com todo o contexto, e libera tempo e energia para que ele faça o que só ele pode fazer: fechar a venda.

Se alguém te vende IA dizendo que você vai conseguir demitir metade do time, está mentindo ou não entende como se vende uma viagem.

Mentira 2: Qualquer chatbot resolve o problema

Essa é dita pelas empresas que têm um produto genérico e querem te convencer de que a sua agência é só mais um caso. Não é.

Tem um dado forte que vem aparecendo faz meses em research de IA enterprise: entre 70% e 85% dos projetos de IA falham. Não falha a tecnologia. Falha a implementação quando o produto é genérico e a empresa que comprou não tem tempo de configurar.

Um chatbot que responde perguntas frequentes sobre o seu site não tem nada a ver com um assistente que qualifica leads no WhatsApp, entende quais destinos você opera, sabe diferenciar uma viagem de lua de mel de uma viagem em família, e encaminha para o vendedor certo. O primeiro é uma ferramenta de suporte. O segundo é um sistema operacional conversacional.

Quando te oferecerem um chatbot para a sua agência, pergunte: ele sabe diferenciar um destino emissivo de um receptivo? conhece as temporadas? tem contexto do catálogo que você vende? sabe que em março não se mandam turistas brasileiros para Bariloche porque a temporada já passou? Se a resposta é não, não é para turismo. É um chatbot de telecom com cara de turismo.

Mentira 3: A gente conecta em cinco minutos

Essa quem fala são os que vendem software pensando em SaaS genérico. Não falam no turismo porque seja verdade. Falam porque é o que o SaaS diz de si mesmo.

A verdade é mais chata. Uma IA que realmente opera a sua agência precisa saber como você trabalha. Como responde. Quais dados pergunta primeiro. Que tarifas usa, com quais operadoras, como é o processo de orçamento, quando um vendedor humano entra, quando o follow-up automático começa. Isso não se configura em cinco minutos. Se constrói com você em uma semana, ou duas.

O mais honesto que um fornecedor de IA no turismo pode te dizer é: "me dá uma semana para entender a sua operação, depois começo a configurar". Se te falam "conecta o WhatsApp e pronto", o que você vai ter é um bot que responde de forma genérica, confunde os clientes, e que você vai desligar em duas semanas.

A velocidade da implementação não é indicador de qualidade. É indicador de superficialidade.

Mentira 4: Quanto mais automático, melhor

Essa é das mais perigosas porque soa lógica. Se a IA pode fazer tudo sozinha, melhor, né? Não.

No turismo, principalmente no segmento emissivo de ticket médio e alto, o cliente compra confiança. Compra uma pessoa que conhece o destino, que já esteve lá, que tem contatos locais, que vai resolver se algo der errado. Isso é muito difícil de transmitir desde uma IA, e francamente, hoje não me interessa que a IA tente. A IA tem que filtrar, qualificar, organizar, poupar tempo. O fechamento e a relação são humanos.

Tem uma versão mais sutil dessa mentira: "a IA aprende sozinha, não precisa revisar". Isso só é verdade se você não se importa com a qualidade. Uma IA em produção precisa de revisão, ajustes, exemplos novos. Não é algo que você liga e esquece. É mais um colega do time. Você treina, corrige, melhora com o tempo.

O objetivo não é que a IA faça tudo. O objetivo é que a IA faça o repetitivo bem, para que você possa se dedicar ao que importa.

Mentira 5: A IA serve para qualquer agência

Essa é dita por quem está vendendo, não por quem está implementando. E vai soar estranho vindo de mim, porque eu vendo IA. Mas a verdade é que nem toda agência está pronta para isso.

Se na sua agência entram menos de 50 consultas por mês, você não precisa de IA. Você precisa vender mais. A IA resolve um problema de escala: muitas conversas, pouco tempo, perda invisível. Se o seu problema é a quantidade de consultas que chega, o que você tem que arrumar é a mídia, não a operação.

Se na sua agência não existem processos mínimos, uma IA não vai inventar eles. Se você responde cada consulta de forma diferente, sem critério, sem saber que dados quer capturar, a IA vai herdar esse caos amplificado. A regra é brutal: uma operação ruim com IA é uma operação ruim mais rápida.

As agências que tiram mais proveito da IA são as que já têm algum processo, volume suficiente para a conta fechar, e uma dor real que tira o sono. Se esse não é o seu caso, poupe o dinheiro e a frustração. Volte quando estiver pronto.

O que é verdade

Termino pelo lado positivo, porque tem coisas que sim são verdade e vale destacar.

É verdade que a IA muda a equação para agências que recebem muitas consultas pelo WhatsApp. Responder na hora, 24 horas por dia, com o tom certo, era impossível faz três anos. Hoje é viável. E só isso, para uma agência que perde 70% das consultas por falta de resposta rápida, já é uma mudança brutal.

É verdade que a IA bem implementada devolve tempo para os seus vendedores. Tempo para assessorar, para pesquisar destinos, para manter relações com clientes que já viajaram. Para vender melhor, não mais.

É verdade que o setor de turismo está atrasado na adoção. Enquanto real estate e healthcare já têm taxas de adoção de IA de 28% e 10% respectivamente, turismo está em torno de 16%. Tem janela para quem se move primeiro. Mas uma janela real, não a do marketing.

E é verdade que isso não vai parar. A pergunta não é se a IA vai estar na sua agência, mas quando, como, e se você que coloca ou o mercado coloca quando já for tarde.

Uma última coisa

Se você chegou até aqui e está avaliando IA para a sua agência, o melhor conselho que posso te dar não é nos contratar. É este:

Fale com três fornecedores diferentes. Faça perguntas incômodas. Peça casos reais do setor de turismo. Peça para conversar com os clientes deles. Se algum dos três te promete algo que soa como uma das mentiras acima, descarta sem culpa.

A IA no turismo é real e está mudando as regras. Mas como toda revolução, vem acompanhada de muito ruído. A parte difícil é separar o verdadeiro do marketing.

Se depois de filtrar esse ruído você quiser conversar, sabe onde nos encontrar.

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Yaco Peralta

Yaco Peralta

Co-founder, trama.

Construyendo trama. para que las agencias de viajes vuelvan a tener foco en la asesoría humana.

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