Turismo e IA

Voltamos da FIT: o que vimos do estande 4382

143 mil pessoas, 1.697 expositores e nosso primeiro estande próprio. O que vimos na FIT 2026 por dentro, e o que isso diz sobre as agências e a IA.

Yaco Peralta
Yaco Peralta4 min de leitura

Números da feira conferidos no balanço oficial da FIT 2026; contatos e demos, no registro comercial da Trama.

Capa da Trama com a foto da equipe e visitantes no estande 4382 da FIT América Latina 2026, no La Rural em Buenos Aires.

Cento e quarenta e três mil pessoas em quatro dias. A FIT completou trinta edições e fechou com recorde: 143.683 visitantes, quase 50 mil deles profissionais do turismo, e 1.697 expositores de 64 países. O La Rural, que é enorme, chegou ao limite.

Este ano estivemos com estande próprio pela primeira vez. E se eu tivesse que resumir a feira em uma ideia, seria esta: a inteligência artificial deixou de ser o assunto estranho do corredor. Agora é uma pergunta concreta que um dono de agência te faz, apoiado no balcão.

Nosso primeiro estande

Dez metros quadrados no Pavilhão Internacional, estande 4382. Cinco metros de frente e só dois de fundo. Não cabia uma mesa de reunião, então pensamos o estande como uma vitrine: tudo se resolvia em pé, no balcão, com a pessoa parada no corredor.

Na parede havia um QR code grande. Você escaneava, abria um WhatsApp e nosso assistente respondia na hora. Sem folheto nem vídeo: o produto atendendo você. Sobre o balcão, bonés, adesivos e um convite para concorrer a uma escapada ao Pueblo Mágico, um glamping nas serras de Córdoba.

Funcionou melhor do que esperávamos. As pessoas chegavam pela escapada ou pelo boné amarelo, e ficavam conversando sobre como atendem o WhatsApp.

Quem passou pelo 4382

Agências de Salta, Neuquén, Mendoza, Córdoba, Bahía Blanca e Ushuaia. Receptivos de Montevidéu. Uma agência de Assunção. Atacadistas de Buenos Aires. Empresas de viagens em grupo, turismo de aventura e viagens sob medida.

Na segunda e na terça, dias só para profissionais, a feira não para. É o momento do ano em que todo o turismo se encontra no mesmo lugar: cada um vem ver o que há de novo, o que pode somar e com quem pode fazer negócio. Os encontros de negócios cresceram 56% em relação ao ano passado, e isso se sentia nos corredores.

Também conhecemos gente que não estava lá para comprar: operadoras com disponibilidade própria, empresas de tecnologia, assistências de viagem. Com várias delas já estamos conversando sobre trabalhar juntos.

A IA já não se discute, se pergunta como

A inteligência artificial estava em todo lugar. Nos painéis de tecnologia, nas apresentações das operadoras, no discurso das autoridades. O secretário de Turismo da Argentina resumiu assim: "é uma ferramenta, uma ajuda, mas a agência de viagens é insubstituível".

Em um dos painéis apareceu uma frase que ficou comigo: a tecnologia iguala o acesso à informação, mas não o critério. É o que viemos dizendo há tempo: a IA não substitui o agente de viagens, ela devolve a parte humana.

Do balcão, a mudança aparecia nas perguntas. Ninguém mais perguntava se isso funciona. Perguntavam qual, para que parte do negócio e quanto custa começar.

E o que as agências pediam era bem claro. Não querem uma IA que responda qualquer coisa, nem que trate cada mensagem como uma venda. Querem algo que separe quem pergunta por curiosidade de quem quer viajar, que junte os dados da viagem e passe a consulta ao vendedor quando há um interessado de verdade. Com o tom certo, e sabendo quando sair de cena.

A confiança continua sendo humana. Isso ninguém discute. O que muda é onde quem vende gasta o dia: se as consultas se perdem pelo caminho, não sobra tempo para a parte do trabalho que ninguém mais pode fazer.

O que levamos para casa

Voltamos com uns trinta contatos de agências, operadoras e possíveis parceiros de todo o país e da região. Em uma semana já tínhamos dez demos agendadas. Para um primeiro estande de dez metros quadrados, é mais do que esperávamos.

E levamos uma confirmação. No Congresso FAEVYT em Mendoza vimos a IA deixar de ser conversa de corredor. Na FIT vimos isso em escala: milhares de profissionais que já não se perguntam se a IA vai entrar no turismo, mas qual faz sentido e para quê.

A próxima FIT será de 2 a 5 de outubro de 2027. Vamos estar lá.

Quantas pessoas visitaram a FIT 2026?

143.683 visitantes em quatro dias, segundo a organização: 94.602 do público geral e 49.081 profissionais do turismo. Foi a 30ª edição e a mais visitada da sua história.

Quando é a FIT 2027?

De 2 a 5 de outubro de 2027, no La Rural, em Buenos Aires.

O que se falou sobre inteligência artificial na FIT 2026?

Foi um dos temas centrais. Foram apresentados casos de IA aplicada a vendas e ao atendimento ao cliente, e a ideia compartilhada foi que a tecnologia ajuda, mas o relacionamento e o critério do agente de viagens continuam insubstituíveis.

Obrigado a todos que passaram pelo 4382.

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